Li uma coluna da Martha Medeiros, e encontrei um texto muito bonitinho e inteligente. Começa assim:
“Quem sou eu? Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir.
A gente é o que a gente gosta. A gente é a nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. “Vamos listar quem a gente é: você daí e eu daqui.”
E eu resolvi fazer a minha listinha. Muito bem: quem sou eu?
Sou a música. Sou um sorriso aberto de quem estava com saudades de me ver. Sou um pedido de segredo com aquele olhar de confiança. Sou muitas amizades e amigos. Sou um filme de romance com drama. Sou a primavera. Sou o sol. Sou a verdade. Sou a criança. Sou um sábado à noite.
Sou uma comida da vó. Sou o kitkat.
Sou a minha casa mais do que a rua. Sou olhar o céu com noite de lua cheia e estrelas brilhando. Sou a minha cama e dormir agarrada com o travesseiro.
Sou um um abraço inesperado. Sou dizer e ouvir palavras que me emocionam.
Sou um punhado de cartas, cartões e e-mails, todos longos e intensos. Sou gentilezas, carinhos, mimos.
Sou a Carol Castro, Claudia Leitte, Cecília Meireles, Claus e Vanessa, Shakira, Luiza Possi, Maurício de Souza.
Sou mais madrugada do que manhã. Mais calor do que frio. Mais piano, violão, bateria do que flauta. Mais música do que pintura. Mais encontro do que telefonema. Mais sim que não. Mais sonho que realidade. E muito, mas muito mais emoção que razão. Sou assistir um filme debaixo da coberta num dia frio. Ligar o rádio bem alto enquanto arrumo a casa. Sou surpreender e ser surpreendida. Sou cheiro de neném, Sou imaginar, e sonhar.
Sou a soma de tudo isso, e infinitamente mais.
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