Escutando a música da Maria Gadú – Dona Cila e voltei.
Voltei num tempo em que era criança numa fase pra lá de conturbada da minha infância, na minha entrada da pré-adolescência.
E lembrei-me da Cida, uma vizinha que foi minha primeira e única babá... Mas babá mesmo... De ficar anos e anos cuidando de mim e da casa, carinhosa, atenciosa e que adorava pentear meus cabelos, fazia rabo de cavalo e ficava horas fazendo e modelando os cachinhos que ela adorava.
Agora com lágrimas nos olhos lembrei dela com carinho e muita, mas muita gratidão.
Dela que sempre me defendia, lembro até hoje de uma menina que me criticava por meu cabelo ser crespo, lembro que um dia me xingou tanto! Mas para minha sorte foi na frente da Cida. Que me defendeu com unhas.
Sempre fui sensível por demais então quando falou dos meus cabelos a minha auto estima foi mesmo parar no chão, e ficaram por um bom tempo ressonando, ecoando em meus ouvidos internos.
Mas ela estava lá, a Cida, que me sacudiu literalmente querendo me tirar daquele transe hipnótico, onde as lágrimas caiam livres, leves e solta pelo meu rosto.
Eu era pequena para mandar a pessoa para a PQP e dizer com toda fúria que o momento pedia ( - Quem tem cabelo é vocêêêêê ) mas desde muito pequena aprendi a respeitar todos.
Então Cida me pegou no colo afetivo, carinhoso e disse olhando em meus olhos enquanto arrumava meus cabelos.
Olhando em meus olhos ela me colocou na frente do espelho e me mostrou enquanto penteava meus cabelos...
- Você sabe que tem gente que quer fazer cachos que nem o teu?
E a minha inocência perguntou:
- Verdade Cida?
E ela:
- Olha como o seu cabelo é bonito! Você é muito bonita e quem desdenha assim de você é porque tem inveja!
E riu e aquele sorrisão me ganhou.
E essa foi uma das formas que eu encontrei para demonstrar toda minha gratidão a Deus e a você por ter cruzado no meu caminhar.
Dona Cila
Maria Gadú
De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh'alma da vida
Sorrindo e fazendo o meu eu
Se queres partir ir embora
Me olha da onde estiver
Que eu vou te mostrar que eu to pronta
Me colha madura do pé
Salve, salve essa nega
Que axé ela tem
Te carrego no colo e te dou minha mão
Minha vida depende só do teu encanto
Cila pode ir tranquila
Teu rebanho tá pronto
Teu olho que brilha e não para
Tuas mãos de fazer tudo e até
A vida que chamo de minha
Neguinha, te encontro na fé
Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
O apego não quer ir embora
Diaxo, ele tem que querer
Ó meu pai do céu, limpe tudo aí
Vai chegar a rainha
Precisando dormir
Quando ela chegar
Tu me faça um favor
Dê um banto a ela, que ela me benze aonde eu for
O fardo pesado que levas
Deságua na força que tens
Teu lar é no reino divino
Limpinho cheirando alecrim

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